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Remisson Aniceto

remisson8@yahoo.com.br

Nova canção do exílio

O teu corpo é palmeira

onde eu-sabiá canto.

Sem ti eu nem gorjeio.

Se contigo me encontro,

o meu cantar -- antes feio,

se enche de puro encanto.


És tu o meu céu de estrelas,

minha várzea de vivas cores.

Nos teus ramos encontrei a vida

(e não quero mais perdê-la),

esquecendo as minhas dores.

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E agora só, em terra estrangeira,

nenhum prazer encontro eu cá.

Está tão longe a minha palmeira

onde aprendi a cantar.


Aqui, a tristeza me aterra...

Que Deus não deixe que eu morra,

que eu finde antes de voltar

para a minha verde palmeira,

para os campos da minha terra,

árvore rainha do meu pomar;

sem que eu sinta ainda o seu cheiro,

sem me colorir com a sua cor,

sem que eu abrace o seu firme tronco,

sem que eu pouse nos seus ramos,

sem que eu beije as suas folhas;

sem que eu me aninhe na sua copa

de onde alcanço as estrelas.


Meu Deus, que eu não morra

sem que possa ainda revê-la,

sem que eu volte a cantar,

lá no alto daquela serra

e lá no fundo do lindo vale,

nos ramos da minha palmeira,

nos campos de Nova Era.


Que a tristeza não me cale

sem encontrar a felicidade,

lá onde tenho a quem amar.

Que eu possa antes voltar

como um saudoso passarinho,

pra palmeira da minha cidade

e no seu corpo-tronco morar.


Lá onde eu sempre quis

construir o meu ninho,

e na minha palmeira cantar:

"Te amo e só contigo sou feliz!"