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Remisson Aniceto

remisson8@yahoo.com.br

Gato e cachorro

Seja na cidade ou seja no mato,

Ela faz de mim gato e cachorro.

Quando alguém a fere, eu trato,

Quando ela padece, eu morro.

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Se no escuro da noite sou o seu gato,

ou sou o seu cachorro durante o dia,

na outra noite, se ela quiser eu lato,

no dia seguinte sou aquele que mia.

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Com as finas unhas ela me arranha,

Sua doce boca me beija e me morde.

Quando diz "sou tua!", ela me ganha

E no seu oceano deixa que eu transborde.

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Pra deixá-la feliz, por ela eu mato,

Se morrer for preciso, por ela eu morro.

Por ela sempre "caio como um pato":

Ela me faz de gato e de cachorro.

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Quando quer, ela me faz de suave osso,

Outras vezes me transforma em ratinho.

E me sussurra que sou o seu colosso,

Brinca comigo e me cobre de carinho.

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Se de leve me chama, o meu peito mia;

Se correndo me grita, uivando eu corro.

O coração bate com "animalesca" alegria

e cruzo rios, desço vales, subo morros...

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E quando, em uníssono — nós no leito —

ouço suavíssimo ronronar o seu peito

e o seu coração bramir me pedindo socorro,

viro bicho dois-em-um mais-que-perfeito:

sou metade gato e metade cachorro.