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Remisson Aniceto

remisson8@yahoo.com.br

Do álcool e do tombo

Ao beber de forma desmedida,

o acanhado se torna bastante atrevido.

Escancara o riso, antes escondido,

a cada dose que é consumida.


O álcool parece ser coisa muito boa,

faz a gente falar e agir de improviso,

ficar alto e subir; voar, rindo à toa…

Ele dá muita coragem e nos rouba o juízo.


O bêbado crê que está sempre certo

e afirma que só ele é o dono da razão.

Cai, levanta, vai tropeçando, incerto,

e se é velho até remoça: vira rapagão.


Domina qualquer assunto quem se embriaga,

tudo sabe quem se enche de cachaça.

Mas seu papo furado na bebida naufraga,

virando alvo do riso e de toda a chalaça.


Quanto mais se bebe, maior é a queda

de quem se encharca de pinga.

E todo mundo do mamado se arreda,

tapando o nariz pra fugir da catinga.


Muita gente que se acha deslocada,

pensa que bebendo vai ficar mais bacana.

Sai do trabalho na sexta direto pra balada

e joga fora o dinheiro de toda a semana.


Cada bebum tem o seu singular repertório,

termos e palavras bem engraçadas.

Com a língua solta, solta o seu palavrório,

resmunga tanto e diz nada com nada.


Eu não quero, a mim não me convém

quebrar a cara e o nariz, ficar cheio de rombos,

levando rasteira de quem nem perna tem.

Dispenso a bebida, a dor da ferida e a vergonha do tombo.


Deus me livre ser chamado de esponja,

que espremida vai soltando o seu encardido.

E nem me agrada, de quem bebe, a falsa lisonja,

o gracejo, o abraço, o seu beijo fedido.


Um copo de pinga nada me acrescenta.

Do álcool não preciso pra soltar o meu riso

e viver na razão é o que me sustenta.

Prefiro estar sóbrio a perder o juízo.


Eu quero sim ficar embriagado,

mas bebendo da forma mais louca,

beber pra cair, morrer até, envenenado

no doce néctar da tua boca.