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Remisson Aniceto

remisson8@yahoo.com.br

Cantiga de acalanto

Ah! Saudade de Minas,

da minha Minas Gerais!

Como eu ainda queria

por a lenha no fogão,

acender a lamparina,

varrer a poeira do chão.


Ah! Menina Gerais,

eu queria tanto tanto

sua casa, meu abrigo,

correr pelos quintais,

ouvir do vento o canto,

abraçar os meus amigos,

reencontrar os meus pais.


Reinventar o meu coração

e colocar nele o meu irmão.

Sentir o cheiro de terra,

nadar no ribeirão,

subir e descer a serra,

correr de pés no chão,

brincar, sorrir, cantar

no meio dos laranjais,

voltar a ser criança

cheia de esperança,

esquecer os meus ais...


Queria um aperdimão,

um beijim, um cheirin

com um forte abraço

bem assim: pertadim.

Ah! Minha amada menina!


Oh! Minha querida terra,

não me saem das retinas

os seus vales, as suas serras,

os seus riachos e florestas,

seus campos cheios de cores,

os pássaros fazendo festa

entre os frutos e as flores.


Ah! Minha Minas Gerais,

eu era tão feliz e não sabia.

Qui sodade, sodadimais!

Sodade docê todo dia...


Dos doces e das doceiras,

dos salgados e das salgadeiras,

da música e dos cantores,

da vida cheia de cores.

Oh! Minha Minas Gerais!


Lugar mais belo não existe.

Sodade, quanta sodade,

das suas caipirinhas

e dos seus caipirim.


Que as suas mineirices

jamais saiam de mim.

Ninguém mais seria infeliz

se pudesse editar a memória.

Eu, sim, reescreveria o amor

dando final feliz à minha história.